10 erros comuns no email marketing de Black Friday

Todos os anos, quando chega novembro, as caixas de entrada dos consumidores em Portugal enchem-se de promoções, alertas de última hora e promessas de descontos imperdíveis!

A Black Friday é, sem dúvida, um dos momentos mais competitivos do calendário de e-commerce e, ao mesmo tempo, uma oportunidade enorme para quem sabe usar email marketing de forma estratégica.

O problema é que muitas lojas online continuam a repetir os mesmos erros: enviam emails apenas no próprio dia, copiam assuntos genéricos, disparam campanhas para toda a base sem segmentação e esquecem-se de que o objetivo não é apenas vender “uma vez”, mas transformar essa primeira compra num relacionamento duradouro. No fim, a Black Friday gera picos de tráfego e faturação, mas deixa pouco valor real para o negócio.

Reunimos os erros mais comuns no email marketing de Black Friday e explicamos de seguida de forma prática, como evitá-los. O foco está na realidade das lojas online em Portugal: pequenas e médias empresas que não têm equipas gigantes, mas querem tirar o máximo partido deste período sem destruir margens nem cansar a base de contactos.

Erro 1 – Começar a comunicar apenas no dia da Black Friday

Um dos erros mais frequentes é achar que basta enviar um grande email na sexta-feira e esperar que as vendas aconteçam. Nessa altura, o cliente já recebeu dezenas de mensagens de outras marcas e tende a ignorar o que lhe parece “mais do mesmo”.

Como evitar:
A marca deve encarar a Black Friday como uma campanha com várias fases: aquecimento, lançamento, reforço, última chamada e pós-campanha. Isso significa:

  • Enviar emails de pré-aquecimento para avisar que vem aí a Black Friday;
  • Criar uma lista VIP com acesso antecipado;
  • Estruturar pelo menos um email de lançamento, um de reforço e um de urgência no final.

Quando a comunicação é pensada como uma sequência e não como um “disparo” isolado, o cliente chega à sexta-feira já preparado e com a marca “top of mind”.

Erro 2 – Enviar o mesmo email para toda a base de contactos

Outro erro clássico é tratar toda a base como se fosse um grupo homogéneo: novos contactos, clientes fiéis, inativos e curiosos que só se inscreveram por causa de um passatempo recebem exatamente a mesma mensagem.

O resultado é previsível: alguns irritam-se com o volume de comunicações, outros não recebem nada relevante e muitos acabam por se desligar da marca (unsubscribe ou simplesmente deixam de abrir).

Como evitar:
A solução passa por uma segmentação mínima, ainda que simples:

  • Clientes recentes (ex.: compraram nos últimos 60 dias): mensagens com foco em complementar e reforçar aquilo que já compraram;
  • Clientes fiéis (mais de X compras): acesso antecipado, vantagens exclusivas, códigos especiais;
  • Inativos (sem compras há vários meses): campanhas de reativação com comunicação diferente;
  • Novos subscritores que nunca compraram: explicação clara da proposta de valor e dos benefícios da Black Friday.

Mesmo com poucos recursos, é preferível criar 2 ou 3 variações de email para segmentos chave do que enviar uma campanha genérica para todos.

Erro 3 – Definir descontos sem fazer contas à margem

Muitas empresas decidem os descontos por imitação (“os outros fazem -30%, vamos fazer também”) e não com base nos números do próprio negócio. Depois, somam: desconto elevado + portes + comissões de pagamento + campanhas pagas… e a margem desaparece.

Como evitar:
Antes de escrever uma linha de texto para email marketing, a empresa deve:

  • Calcular a margem real por produto (incluindo custos variáveis: portes, embalagens, comissões, pick & pack);
  • Definir limites de desconto sustentáveis;
  • Escolher que produtos podem suportar descontos mais agressivos (stock parado, coleções antigas, margens elevadas);
  • Identificar produtos em que apenas faz sentido um desconto moderado, ou nenhum.

O email deve refletir esta estratégia: em vez de “-30% em tudo”, é preferível comunicar “até -40% em artigos selecionados” e proteger os produtos que não podem ser demasiado sacrificados.

Erro 4 – Assuntos de email genéricos e iguais aos da concorrência

“Black Friday até 80%”, “Os maiores descontos do ano”, “Não vais acreditar nestes preços” – são frases que o consumidor vê repetidas vezes na mesma semana. Assuntos genéricos diluem a identidade da marca, não se destacam e não dizem ao cliente por que razão deve abrir aquele email específico.

Como evitar:
Os assuntos devem ser:

  • Claros, mas específicos (o que torna esta Black Friday diferente?);
  • Ajustados ao momento da campanha (pré-lançamento, últimos dias, Cyber Monday, etc.);
  • Curtos o suficiente para serem lidos em mobile;
  • Complementados com um pré-header que acrescente contexto.

Exemplos mais interessantes do que o habitual “Black Friday preços nunca vistos”:

Erro 5 – Ignorar o pré-header e repetir o assunto

O pré-header (aquele texto que aparece a seguir ao assunto na pré-visualização) é muitas vezes desperdiçado com frases padrão do tipo “Se não estiver a visualizar este email, clique aqui”. Na Black Friday, isto é perder um espaço valioso.

Como evitar:
O pré-header deve completar o assunto, nunca repeti-lo. Por exemplo:

  • Assunto: “🎉 Hoje começa a nossa Black Friday”
    Pré-header: “Descontos até -40% em artigos selecionados. Vê tudo agora.”
  • Assunto: “🚚 Black Friday: portes grátis hoje”
    Pré-header: “Aproveita o envio gratuito e garante os teus favoritos antes de esgotarem.”

Este pequeno detalhe pode aumentar a taxa de abertura de forma significativa, sobretudo em mobile.

Erro 6 – Esquecer a experiência em mobile

A maioria dos utilizadores em Portugal lê emails no telemóvel. Ainda assim, há campanhas de Black Friday com:

  • Textos demasiado densos;
  • Botões pequenos ou mal contrastados;
  • Imagens pesadas que demoram a carregar;
  • CTAs lá em baixo, depois de scroll interminável.

Como evitar:

  • Testar sempre o email em mobile antes de enviar;
  • Usar blocos curtos de texto, com espaço em branco;
  • Garantir que o botão principal (“Ver promoções”, “Comprar agora”) está visível sem muito scroll;
  • Usar fontes legíveis e contraste adequado (evitar texto claro sobre fundo claro).

Aqui, o objetivo é simples: o cliente deve conseguir entender a proposta da campanha e clicar no CTA principal em poucos segundos.

Erro 7 – Campanhas que não batem certo com o site

Outro erro comum: o email promete algo (“até -40% em toda a loja”) e, ao clicar, o cliente encontra um site confuso, sem destaque claro para Black Friday, ou com preços que não correspondem à comunicação. Isto gera frustração e quebra de confiança.

Como evitar:

  • Ter uma landing page específica para a Black Friday (por exemplo: /black-friday);
  • Fazer com que todos os CTAs dos emails relativos à campanha apontem para essa página ou para categorias claramente identificadas;
  • Reforçar, no site, as mesmas mensagens do email: percentagens, datas, condições de portes, devoluções, etc.

Quando a experiência é coerente do email ao checkout, a probabilidade de conversão aumenta substancialmente.

Erro 8 – Esquecer os fluxos automáticos (e não os adaptar à Black Friday)

Mesmo em Black Friday, muitos e-commerces não têm fluxos automáticos básicos bem configurados: boas-vindas, carrinho abandonado, pós-compra. Ou, se os têm, esquecem-se de os adaptar ao contexto da campanha.

Como evitar:

Antes do arranque da Black Friday, deve rever-se:

  • Email de boas-vindas: pode incluir referência à campanha, com indicação clara de como o novo subscritor pode beneficiar;
  • Fluxo de carrinho abandonado: deve ser ajustado à urgência (prazos da campanha, stock limitado);
  • Pós-compra: pode agradecer a compra e já sugerir próximos passos (usar o produto, rating, sugestões de produtos complementares).

Assim, mesmo quem não responde imediatamente aos emails de campanha é impactado por comunicações contextuais, alinhadas com a Black Friday.

Erro 9 – Enviar emails sem preparar logística e apoio ao cliente

Há estratégias de email muito agressivas em termos de descontos e urgência, mas sem capacidade logística para responder ao aumento de encomendas. Resultado: atrasos, clientes insatisfeitos e um volume enorme de contactos a perguntar “onde está a minha encomenda”.

Como evitar:

  • Confirmar, antes da campanha, capacidade de stock, preparação e envio;
  • Definir prazos realistas e comunicá-los no email (e no site);
  • Preparar respostas-tipo para perguntas frequentes (prazos, trocas, devoluções);
  • Ajustar temporariamente horários e recursos de apoio ao cliente, se possível.

O melhor email do mundo não compensa uma má experiência de entrega ou um serviço ao cliente ausente.

Erro 10 – Não medir resultados (e repetir os mesmos erros todos os anos)

Muitas marcas terminam a Black Friday com a sensação de “correu bem” ou “correu mal” baseada apenas em perceção e faturação bruta. Sem análise de dados, é impossível saber que emails funcionaram, que segmentos responderam melhor, que tipo de oferta foi mais eficaz.

Como evitar:

Depois da campanha, vale a pena analisar:

  • Taxas de abertura e de cliques por email;
  • Que assuntos geraram mais envolvimento;
  • Que segmentos convertaram melhor (novos, recorrentes, inactivos reativados);
  • Impacto nas devoluções;
  • Relação entre investimento em campanhas (incluindo email + anúncios) e margem final.

Com estes dados, a Black Friday seguinte deixa de ser um tiro no escuro e passa a ser uma campanha construída sobre aprendizagem real.

Erro Descrição Como evitar
1. Comunicar só no dia Enviar email apenas na sexta-feira, quando a caixa de entrada já está saturada. Criar sequência com pré-aquecimento, lista VIP, lançamento, reforço e última chamada.
2. Mesma mensagem para toda a base Tratar novos contactos, clientes fiéis e inativos da mesma forma. Segmentar mínimamente: novos, recorrentes, inativos, VIP, etc., com mensagens adaptadas.
3. Descontos sem contas feitas Definir percentagens por imitação da concorrência, sem olhar à margem. Calcular margem real por produto e definir limites de desconto sustentáveis.
4. Assuntos genéricos Linhas de assunto iguais às de toda a gente, pouco específicas e pouco clicáveis. Usar assuntos claros, curtos, específicos e alinhados com cada fase da campanha.
5. Ignorar o pré-header Repetir o assunto ou deixar texto genérico na pré-visualização do email. Escrever pré-headers que complementem o assunto e acrescentem contexto/urgência.
6. Não otimizar para mobile Emails difíceis de ler no telemóvel, com botões pequenos e blocos de texto enormes. Testar em mobile, usar parágrafos curtos, botões grandes e boa legibilidade.
7. Email e site não alinhados Prometer uma coisa no email e o cliente encontrar outra no site. Criar landing de Black Friday e garantir mensagens e preços coerentes em todo o funil.
8. Ignorar automações Não ter (ou não ajustar) fluxos de boas-vindas, carrinho abandonado e pós-compra. Rever e adaptar fluxos automáticos ao contexto da Black Friday antes da campanha.
9. Não preparar logística e suporte Prometer muito sem capacidade de entrega, gerando atrasos e reclamações. Confirmar stock, prazos e transportadoras e preparar respostas-tipo para apoio ao cliente.
10. Não medir resultados Basear-se apenas na faturação e na intuição para avaliar a campanha. Analisar aberturas, cliques, conversão, margem e segmentos para melhorar no ano seguinte.

Perguntas frequentes

Quantos emails uma loja online deve enviar na Black Friday?
Não existe um número fixo, mas, na prática, muitos e-commerces trabalham bem com: 1–2 emails de pré-aquecimento, 2–3 emails no próprio dia (manhã, meio do dia, noite) e 1–2 comunicações de pós-campanha (incluindo Cyber Monday e agradecimento).

É obrigatório fazer grandes descontos para o email marketing funcionar?
Não. É possível trabalhar Black Friday com foco em packs, portes, acesso antecipado, benefícios exclusivos para clientes recorrentes e comunicação transparente, sem entrar em guerras de preços que destroem a margem.

É melhor enviar um email para toda a base ou segmentar?
Segmentar quase sempre traz melhores resultados a médio prazo. Mesmo com segmentação simples (novos clientes, clientes fiéis, inativos), a marca consegue enviar mensagens mais relevantes e reduzir o risco de fadiga da lista.

O que é mais importante otimizar: o assunto ou o conteúdo?
Ambos são importantes, mas sem um assunto e pré-header apelativos, o conteúdo nem chega a ser lido. Uma boa prática é testar variações de assunto em pequenos segmentos antes de enviar para toda a base.

A Black Friday deve ser tratada como campanha isolada ou parte de uma estratégia anual de email marketing?
Idealmente, deve ser encarada como parte de uma estratégia mais ampla. Os contactos ganhos e as compras feitas em Black Friday devem alimentar fluxos de pós-venda, reativação e fidelização ao longo de todo o ano.



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