Há uma métrica que continua a decidir mais vendas do que qualquer campanha criativa: o valor que aparece na linha “portes de envio” no checkout. O II Estudo Webloyalty “O Consumo Online em Portugal 2026” vem confirmá-lo com números difíceis de ignorar — 79% dos portugueses sentem-se “muito” ou “bastante” influenciados pelo preço do envio na decisão de comprar online.
Ou seja: praticamente 8 em cada 10 consumidores nacionais condicionam a compra em função dos custos logísticos. E o prazo de entrega não fica muito atrás — 65% apontam-no como fator de influência determinante.
O estudo assenta numa amostra de 950 pessoas com mais de 18 anos, com representatividade nacional.
A compra online já é rotina, não é evento
Antes de olhar para a logística, convém perceber a frequência com que os portugueses compram. 38% compra online pelo menos uma vez por semana ou diariamente. Não estamos a falar da campanha de Natal nem da Black Friday: estamos a falar de um hábito instalado, com ciclos curtos de recompra.
Para quem gere uma loja online, isto muda o cálculo. Quando o cliente compra várias vezes por mês, cada experiência de entrega deixa de ser um episódio isolado e passa a ser um teste recorrente de confiança. Um atraso não custa uma encomenda — custa a próxima.
Origem da loja: importa menos do que se pensa
Um dos dados mais reveladores do estudo é este: 61% dos consumidores não dá importância à origem da plataforma onde compra. Apenas 25% prefere plataformas nacionais e 13% opta deliberadamente por internacionais.
É um número que merece ser lido com frieza pelo comércio nacional. A ideia de que “comprar português” funciona como argumento de venda por si só não se sustenta na maioria do mercado. O consumidor médio compara preço, envio e prazo — e decide aí. O “made in Portugal” pode ser um diferenciador para um quarto do mercado, mas não substitui uma proposta logística competitiva.
Na prática, isto significa que a sua loja não compete apenas com o retalhista da rua ao lado. Compete com marketplaces asiáticos, com plataformas espanholas e com qualquer operador que consiga colocar o produto na porta do cliente mais depressa e mais barato.
O que faz o cliente escolher uma loja e não outra
Quando o estudo pergunta o que pesa na escolha da loja, o pódio é claro e — para variar — não é sobre design:
- 30% valoriza informação detalhada sobre os produtos
- 22% prioriza a facilidade de navegação
- 14% tem em conta as opiniões de outros compradores
A informação de produto continua a ser o principal ativo de conversão de uma loja online. Fichas completas, medidas reais, materiais, fotografias de vários ângulos, política de devoluções explícita. É trabalho pouco glamoroso, raramente prioritário nos roadmaps — e é o que quase um terço do mercado diz procurar em primeiro lugar.
A navegação vem a seguir. Menus limpos, filtros que funcionam, pesquisa interna que devolve resultados relevantes. E as reviews, com 14%, continuam a ser prova social barata e subaproveitada por boa parte das lojas nacionais.
Poupar é a norma: promoções, cupões e cashback
O estudo confirma um consumidor treinado para procurar desconto antes de finalizar a compra:
- 72% utiliza promoções e descontos para poupar
- 57% usa cupões e códigos de desconto
- 46% escolhe cashback ou reembolso
- 88% manifesta interesse em recuperar parte do dinheiro gasto
Aquele último número é o mais interessante de todos. Quase nove em cada dez consumidores querem receber de volta uma parte do que gastaram. É a validação clara de modelos de cashback, de programas de fidelização com valor devolvido e de saldos de conta reutilizáveis em compras futuras.
E há aqui uma oportunidade estratégica que muitas lojas estão a deixar passar: o cashback resolve, em parte, o problema dos portes. Devolver 5% em saldo de loja tem, para o consumidor, uma leitura psicológica diferente de dar 5% de desconto imediato — e prende a próxima compra. É margem que sai do mesmo bolso, mas que trabalha para a retenção em vez de se esgotar na transação.
O que fazer com isto na sua loja?
Traduzindo o estudo em decisões concretas:
1. Mostre o custo de envio o mais cedo possível. O abandono de carrinho por surpresa nos portes continua a ser das fugas mais caras do funil. Calculadora de portes na ficha de produto, ou pelo menos uma barra de progresso para o envio grátis.
2. Defina um limiar de envio grátis com base no seu ticket médio. Regra prática: 15% a 25% acima do valor médio de encomenda. Alto o suficiente para aumentar o carrinho, baixo o suficiente para ser alcançável.
3. Trate o prazo como promessa, não como estimativa. Com 65% do mercado a decidir pelo prazo, “2 a 5 dias úteis” é pior do que “entrega quarta-feira, dia 2”. Datas concretas convertem melhor do que intervalos.
4. Invista nas fichas de produto antes de investir em anúncios. Se 30% escolhe pela informação detalhada, cada euro em conteúdo de produto tem efeito composto sobre tráfego pago e orgânico.
5. Teste cashback em vez de mais um código de desconto. Com 88% de interesse declarado, é o mecanismo de poupança com maior recetividade — e o único que trabalha para a compra seguinte.
6. Peça reviews de forma sistemática. E-mail pós-entrega, com timing ajustado ao tipo de produto. É a alavanca mais barata dos três fatores de escolha identificados no estudo.
Conclusão
O estudo Webloyalty não descobre um problema novo — confirma que o problema antigo continua por resolver. Em Portugal, a logística é o principal filtro da compra online, e o consumidor mostra-se cada vez mais indiferente à origem da loja e cada vez mais atento ao que pode recuperar do valor gasto.
Para as lojas nacionais, a mensagem é dupla: o argumento patriótico não chega, e a competitividade joga-se no custo de envio, no prazo, na qualidade da informação de produto e na capacidade de devolver valor ao cliente. Nenhum destes pontos exige um investimento tecnológico maior. Exige, isso sim, decisões que muitas equipas continuam a adiar.
Perguntas frequentes
Que percentagem dos portugueses é influenciada pelo custo de envio nas compras online? Segundo o II Estudo Webloyalty “O Consumo Online em Portugal 2026”, 79% dos portugueses sentem-se “muito” ou “bastante” influenciados pelo preço do envio — cerca de 8 em cada 10 consumidores.
O prazo de entrega também influencia a decisão de compra? Sim. 65% dos inquiridos considera o prazo de entrega um fator de influência “muito” ou “bastante” importante na decisão de compra online.
Os portugueses preferem comprar em lojas online nacionais? Na maioria, não fazem essa distinção: 61% não dá importância à origem da plataforma. Apenas 25% prefere plataformas nacionais e 13% opta por internacionais.
Com que frequência os portugueses compram online? 38% compra online pelo menos uma vez por semana ou diariamente, o que evidencia a consolidação da compra online como hábito recorrente.
O cashback é relevante para o consumidor português? Bastante. 46% escolhe cashback ou reembolso como forma de poupar e 88% manifesta interesse em recuperar parte do dinheiro gasto nas compras.
Fonte: II Estudo Webloyalty “O Consumo Online em Portugal 2026”. Amostra: 950 indivíduos com mais de 18 anos, representativa a nível nacional.











