Tendências do Consumidor Digital em Portugal 2025: o que muda para o e-commerce?

Em 2025, o consumidor digital português está mais informado, mais exigente e mais dependente do smartphone do que nunca. A Inteligência Artificial generativa deixou de ser uma curiosidade tecnológica para passar a fazer parte do quotidiano de milhões de pessoas, que a utilizam para trabalhar, estudar, pesquisar e até tomar decisões de compra. Ao mesmo tempo, cresce a fadiga digital, a desconfiança face a conteúdos falsos e a seleção cuidadosa das apps, notificações e marcas às quais cada pessoa dedica tempo e atenção.

O estudo “Digital Consumer Trends 2025 – Portugal edition”, da Deloitte, oferece um retrato detalhado deste novo cenário: quem usa IA, como se relaciona com o telemóvel, que papel têm as redes sociais, o que acontece com as subscrições digitais e como evolui a perceção de confiança online. Para quem gere uma loja online ou lidera um projeto de e-commerce em Portugal, estes dados são mais do que estatísticas — são pistas diretas sobre como adaptar estratégias de marketing, experiência de utilizador e comunicação.

Neste artigo, analisamos as principais conclusões do estudo e traduzimo-las em implicações práticas para o e-commerce português: o que muda na jornada de compra, que oportunidades surgem com a IA generativa, porque o mobile-first se torna ainda mais determinante e como construir confiança num ambiente digital marcado por excesso de informação e atenção limitada.

2025 é o ano em que a IA deixa de ser novidade

O consumidor digital português mudou — e depressa. A edição portuguesa do estudo “Digital Consumer Trends 2025” da Deloitte mostra um cenário em que:

  • a IA generativa já faz parte da rotina de grande parte da população;
  • o smartphone é o centro da vida digital;
  • fadiga digital e maior sensibilidade a desinformação;
  • as pessoas são mais seletivas nas apps e nos conteúdos que consomem.

Para o e-commerce em Portugal, isto significa uma coisa simples: quem vender online tem que compreender este novo consumidor. Mais do que tecnologia, trata-se de alinhar a estratégia com o modo como as pessoas vivem, trabalham, consomem conteúdos e tomam decisões de compra.

1. IA generativa: de tendência a hábito dos consumidores portugueses

Quantos portugueses usam IA generativa em 2025?

De acordo com o estudo, cerca de 70% dos adultos em Portugal já usaram pelo menos uma ferramenta de IA generativa. Uma parte significativa fá-lo com frequência:

  • uma fatia relevante utiliza IA semanalmente;
  • uma parcela já recorre à IA todos os dias, para tarefas pessoais e profissionais.

Ou seja, o cliente típico de uma loja online hoje já está habituado a conversar com sistemas inteligentes, pedir recomendações, resumir informação ou clarificar dúvidas com IA.

Um destaque claro! ChatGPT domina a perceção de IA

Entre as ferramentas de IA generativa, o estudo mostra um destaque muito marcado:

  • a maioria dos adultos já ouviu falar de ChatGPT;
  • uma parte muito expressiva já utilizou ChatGPT pelo menos uma vez.

Isto tem duas consequências diretas para o e-commerce:

  1. O consumidor está habituado a respostas rápidas, em linguagem natural e em formato de conversa.
  2. Muitos utilizadores já usam IA por iniciativa própria para comparar produtos, pedir ideias de presentes, rever descrições ou até escrever reclamações dirigidas às marcas.

Gerações! A IA é quase óbvia para os mais novos

O estudo mostra que:

  • nas idades mais jovens (Gen Z), a quase totalidade conhece e uma percentagem muito elevada já usou IA generativa;
  • nas faixas etárias mais altas, a adoção é menor, mas a consciência do conceito é também muito elevada.

Isto significa que, especialmente nos segmentos mais jovens, o cliente de e-commerce parte do princípio de que a tecnologia é inteligente — não se surpreende com recomendações, chatbots, personalização ou automatismos. Pelo contrário, passa a estranhar quando nada disso existe.

IA no trabalho e na educação: o lado mais “sério” do consumo

A IA já não é apenas uma curiosidade: o estudo mostra que uma parte muito relevante dos utilizadores:

  • já utilizou IA para tarefas de trabalho;
  • recorreu à IA em contexto de estudo (resumos, explicações, tradução, organização de apontamentos).

As tarefas mais comuns incluem:

  • procurar informação;
  • gerar ideias;
  • criar texto;
  • resumir conteúdos longos;
  • rever ou redigir emails;
  • traduzir textos.

Para as equipas de marketing e e-commerce, isto significa que a IA já faz parte do fluxo de trabalho de quem está “do outro lado”: clientes, parceiros e fornecedores.

2. Smartphone: o comando remoto da vida digital em Portugal

O estudo confirma aquilo que os dados de analytics das lojas online já sugerem há anos: o smartphone é o dispositivo dominante da vida digital dos portugueses.

  • A larga maioria dos adultos tem acesso a um smartphone;
  • Praticamente todos os que têm smartphone usam-no todos os dias.

Computadores portáteis, tablets e televisões inteligentes continuam relevantes, mas nenhum compete com a intensidade de uso do telemóvel.

Para o e-commerce, isto não é apenas um detalhe técnico. Significa que:

  • a primeira impressão da loja é, quase sempre, num ecrã de smartphone;
  • se um botão é pequeno, um formulário é confuso ou uma página é lenta em mobile, há uma quebra direta de conversão;
  • todas as decisões de design, conteúdo e checkout devem ser pensadas mobile-first, e não apenas “adaptadas” a partir da versão desktop.

3. Redes, 5G e experiência digital: a infraestrutura já não é desculpa

5G: condições para experiências mais ricas

O estudo revela uma adoção elevada de 5G nos smartphones e uma experiência considerada, na maioria dos casos, satisfatória. Muitos utilizadores indicam que:

  • têm acesso a 5G;
  • conseguem sinal 5G “sempre” ou na “maior parte das vezes”.

Na prática, isto significa que a infraestrutura está pronta para:

  • vídeo em alta qualidade nas páginas de produto;
  • experiências mais interativas (liveshopping, demonstrações em direto);
  • realidade aumentada (visualização de produtos no espaço real, testes virtuais de maquilhagem, óculos, mobiliário, etc.).

Se um site é lento, pouco fluido ou pesado demais, em 2025, o problema está, quase sempre, no lado da loja online, e não na rede.

4. Subscrições digitais: estabilização e sensibilidade ao valor

O estudo mostra que as subscrições digitais (vídeo, música, jogos, etc.) estão relativamente estabilizadas. Plataformas de streaming e música mantêm níveis semelhantes aos anos anteriores.

Mais interessante é perceber por que razão as pessoas cancelam subscrições:

  • porque não usam o serviço o suficiente;
  • porque o preço deixa de ser percecionado como adequado ao valor.

Esta dinâmica é altamente relevante para modelos de e-commerce baseados em:

  • clubes de subscrição (vinhos, beleza, snacks, produtos para animais, etc.);
  • programas de fidelização pagos;
  • “planos prime” com vantagens permanentes.

A lição é clara:

  • o cliente aceita pagar um valor recorrente desde que sinta uso frequente e valor real;
  • se a perceção de benefício baixa, o risco de cancelamento aumenta;
  • é importante tornar visível o valor acumulado (poupança em portes, ofertas recebidas, descontos obtidos, acesso antecipado, etc.).

5. Redes sociais, fadiga digital e desinformação

Menos notificações, mais controlo

O estudo revela sinais evidentes de fadiga digital:

  • uma percentagem muito significativa de utilizadores desligou notificações de pelo menos uma aplicação;
  • muitos definiram limites de tempo de ecrã;
  • outros acabaram por abandonar ou apagar apps de rede social que consideravam aborrecidas, tóxicas ou demasiado absorventes.

Ou seja, as pessoas querem continuar online, mas com mais controlo e menos ruído.

Para quem faz e-commerce, isto significa que:

  • notificações push genéricas, emails diários sem relevância e pop-ups agressivos são rapidamente silenciados, apagados ou ignorados;
  • a estratégia deve passar por menos ruído, mais relevância: conteúdo útil, segmentação real, personalização inteligente e respeito pela atenção do utilizador.

Rotatividade de apps: entra quem acrescenta valor, sai quem cansa

O estudo mostra também:

  • adesão a novas apps de redes sociais;
  • abandono e remoção de plataformas que deixaram de fazer sentido.

As principais razões para deixar de usar uma rede social incluem:

  • sensação de conteúdo repetitivo ou aborrecido;
  • perceção de perda de tempo;
  • impacto negativo na saúde mental.

Marcas que insistem em conteúdos vazios, excessivamente promocionais ou descontextualizados acabam por ser associadas ao ruído que o utilizador procura evitar.

Desinformação em alta, confiança em baixa

Outro dado relevante: a maioria das pessoas considera que vê hoje mais conteúdo falso ou enganador nas redes sociais do que há um ano.

No contexto do e-commerce, isto traz três desafios:

  1. Reviews falsas e testemunhos fabricados são cada vez mais mal recebidos.
  2. Promessas exageradas e “antes/depois” pouco credíveis são alvo de desconfiança.
  3. Tudo o que é opaco — custos escondidos, condições pouco claras, letras pequenas — mina a relação de confiança.

Pelo lado positivo, isto abre espaço para marcas que:

  • mostram prova social autêntica;
  • utilizam linguagem clara;
  • explicam processos, políticas e condições de forma transparente.

6. O que estas tendências significam na prática para o e-commerce em Portugal

6.1. Mobile-first de verdade (e não só no discurso)

Com o smartphone a dominar o acesso à internet, algumas prioridades tornam-se evidentes:

  • Velocidade: otimização de imagens, bom alojamento, técnicas de carregamento progressivo, atenção aos Core Web Vitals.
  • Usabilidade em ecrãs pequenos: botões bem dimensionados, formulários simples, filtros acessíveis, texto legível.
  • Checkout desenhado para telemóvel: menos passos, menos campos, integração com carteiras digitais e soluções de pagamento usadas em Portugal.

Lojas online que mantêm uma experiência pensada “em desktop” e simplesmente adaptada a mobile ficam em desvantagem direta.

6.2. Integrar IA na jornada — com supervisão humana

Num contexto em que a maioria dos consumidores já usa IA, faz sentido integrá-la também do lado da loja:

  • IA para criar rascunhos de descrições de produto e textos de campanha, sempre revistos por humanos;
  • assistentes conversacionais para ajudar a descobrir produtos, comparar opções e esclarecer dúvidas simples;
  • IA para analisar dados de comportamento (taxas de abandono, padrões de navegação, segmentação de clientes);
  • apoio à equipa na criação de ideias, testes A/B e otimização de anúncios.

Mas é fundamental garantir:

  • políticas internas claras sobre o uso de IA;
  • revisão humana em conteúdos que possam afetar a reputação da marca ou a confiança do cliente;
  • transparência sobre a presença de sistemas automatizados (especialmente em atendimento).

6.3. Atendimento híbrido: IA como primeira linha, humanos como fator de confiança

O estudo indica que muitos consumidores ficariam menos inclinados a usar um serviço se soubessem que o apoio é totalmente baseado em IA. Isto aponta para uma solução de equilíbrio:

  • chatbots e assistentes inteligentes para respostas rápidas, perguntas frequentes e suporte 24/7;
  • possibilidade clara de escalação para um humano em poucos cliques;
  • informação visível sobre horários, tempos médios de resposta e canais alternativos (email, telefone, WhatsApp, redes sociais).

7. Como transformar estes dados em conteúdos SEO e AEO para e-commerce

Além de orientar a estratégia, o estudo é uma excelente fonte de conteúdos para SEO e Answer Engine Optimization (AEO).

Ideias de artigos e conteúdos estratégicos

Com base nas tendências identificadas, é possível desenvolver no ecommerceparatodos.pt artigos como:

  • “Tendências do consumidor digital em Portugal 2025 (e o impacto no e-commerce)”;
  • “Como os portugueses estão a usar IA generativa para comprar online”;
  • “Mobile-first em 2025: porque as lojas online ainda perdem vendas no telemóvel”;
  • “Fadiga digital e confiança online: como comunicar sem cansar o cliente”;
  • “Subscrições, clubes e planos ‘prime’: o que os portugueses aceitam (e o que rejeitam)”.

Cada um destes temas responde a intenções de pesquisa relevantes para empreendedores, gestores de lojas online e marketeers.

Boas práticas de AEO com base no estudo

Para otimizar estes conteúdos para respostas de motores de busca (incluindo motores de resposta com IA), é recomendável:

  • utilizar perguntas como subtítulos (“Como os portugueses usam IA em 2025?”, “O que mudou na forma como compram online?”);
  • responder a cada pergunta logo no primeiro parágrafo a seguir ao subtítulo, de forma direta e clara;
  • incluir uma secção de FAQ com perguntas concretas e respostas objetivas;
  • escrever com frases relativamente curtas, vocabulário claro e pouca ambiguidade;
  • referir explicitamente a fonte dos dados (o estudo), reforçando a credibilidade do conteúdo.

Tendências do consumidor digital em Portugal 2025

O que é o estudo “Digital Consumer Trends 2025 – Portugal edition”?

É um relatório da Deloitte que analisa o comportamento digital dos consumidores em Portugal, incluindo o uso de IA generativa, dispositivos, redes, subscrições digitais e serviços online. Baseia-se numa amostra representativa de adultos entre os 18 e os 65 anos.

Quantos portugueses usam IA generativa em 2025?

O estudo indica que cerca de 70% dos adultos em Portugal já utilizaram pelo menos uma ferramenta de IA generativa, e uma parte significativa recorre a estas ferramentas semanal ou diariamente.

O que muda para o e-commerce com a popularização da IA?

A popularização da IA significa que:

  • os consumidores estão habituados a interagir com sistemas inteligentes;
  • esperam respostas rápidas, em linguagem natural;
  • são mais exigentes com a qualidade e clareza da informação;
  • valorizam a combinação entre eficiência tecnológica e contacto humano.

O smartphone é mesmo o dispositivo principal para compras online?

Sim. O estudo confirma que o smartphone é o dispositivo mais presente e mais usado no dia a dia dos adultos em Portugal. No contexto do e-commerce, isto reforça a importância de sites e lojas online verdadeiramente mobile-first, desde a navegação até ao checkout.

Como é que a fadiga digital afeta a comunicação das lojas online?

Com mais pessoas a desligar notificações e a definir limites de tempo de ecrã, o consumidor torna-se menos tolerante a mensagens irrelevantes. Lojas que enviam demasiadas campanhas, sem segmentação ou utilidade clara, arriscam-se a ser silenciadas ou ignoradas. Por outro lado, marcas que respeitam a atenção do utilizador e enviam conteúdo útil e bem segmentado conseguem destacar-se num feed saturado.

Por que razão a confiança é um fator tão importante em 2025?

Num contexto em que os utilizadores percecionam um aumento da desinformação e de conteúdos falsos, a confiança passa a ser um diferenciador competitivo. Transparência nas condições, prova social autêntica, comunicação clara e políticas justas são elementos decisivos para que o consumidor se sinta confortável a comprar online.

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