Estudo da Klarna mostra um consumidor que compara em vários sites, espera pelos saldos e usa o pagamento fracionado para gerir o mês. Livros picam em agosto; roupa de criança, já em julho.
A esmagadora maioria dos consumidores portugueses compara preços em várias lojas antes de fechar as compras do regresso às aulas. Segundo dados divulgados esta segunda-feira pela Klarna, 86% dos consumidores fazem-no sempre ou frequentemente — e a comparação não se limita a uma segunda opinião: 60% consultam entre duas e três plataformas antes de decidir, 10% consultam quatro ou cinco, e 3% chegam a percorrer seis ou mais sites.
O retrato coincide com o de um estudo independente da ConsumerChoice publicado em agosto, que encontrou exatamente a mesma percentagem de portugueses a comparar preços de material escolar. Quando duas metodologias diferentes convergem no mesmo número, a leitura ganha solidez: comparar deixou de ser um comportamento de caçador de promoções e passou a ser rotina de compra.
Em síntese
- 86% comparam preços em várias lojas ou plataformas antes de comprar; 60% consultam duas a três, 13% quatro ou mais.
- 75% esperam pelos saldos, 72% procuram códigos de desconto, 70% usam pontos de fidelização e 47% recorrem a cashback.
- 64% já adiaram uma compra à espera de melhor preço — mas 37% acabaram por pagar mais.
- 55% usam o pagamento fracionado para gerir o orçamento mensal; 30% dizem que lhes permitiu comprar melhor qualidade.
- A época começa em julho: roupa de criança +64% em julho, livros +60% em agosto face à média anual.
Descontos, fidelização e cashback
A comparação de preços é apenas a primeira camada de um comportamento de poupança bem estruturado. Os dados da Klarna mostram que 75% dos consumidores aguardam por saldos e promoções, 72% procuram códigos de desconto, 70% utilizam pontos de fidelização e 47% recuperam parte do valor gasto através de cashback.
Como os portugueses poupam no regresso às aulas
% de consumidores que usa cada estratégia. Fonte: Klarna, 2026.
Os números acompanham a tendência captada pelo estudo O Consumo Online em Portugal 2026, da Webloyalty, segundo o qual 87% dos portugueses já conhecem o mecanismo de cashback e 81% preveem gastar até 200 euros em compras online para o novo ano letivo.
Esperar demasiado sai caro a um em cada três
O comunicado da Klarna sublinha o reverso da estratégia. Se 64% dos portugueses admitem já ter adiado uma compra à espera de um preço melhor, 37% acabaram por pagar mais por terem decidido tarde de mais.
O efeito é mais visível na eletrónica — portáteis e tablets são hoje dos itens mais pesados das listas escolares. Nesse segmento, 9% dos consumidores dizem ter pago mais por terem esperado e, numa fração desses casos, o sobrecusto situou-se entre os 201 e os 300 euros.
A época começa em julho, não em setembro
Os dados transacionais da Klarna desmentem o calendário escolar. Nos livros e revistas, as vendas sobem progressivamente ao longo do verão: +6% em junho, +33% em julho e +60% em agosto, face à média anual. Na roupa de criança, o pico chega ainda mais cedo — +64% em julho de 2026, coincidindo com os saldos de verão.
A época começa em julho, não em setembro
Crescimento de vendas face à média anual, Portugal. Fonte: Klarna, 2026.
Para as lojas online, a implicação é de planeamento: quem só ativa campanhas de regresso às aulas na última semana de agosto entra no leilão publicitário quando o custo por clique já subiu e parte substancial da procura já converteu noutro sítio.
Fracionar para gerir o orçamento — com novas regras à porta
Mais de metade dos portugueses (55%) afirma que dividir o pagamento em prestações ajuda a gerir o orçamento mensal sem o ultrapassar, e 30% dizem que essa opção lhes permitiu escolher um produto de melhor qualidade — um portátil, por exemplo — em vez de uma alternativa mais barata e menos durável.
Portugal é um dos mercados europeus com maior adesão ao pagamento fracionado, e o crescimento é mensurável: só na Unicre, o volume fracionado através da Parcela Já passou de 13,2 milhões de euros em 2024 para mais de 29 milhões em 2025.
Cinco dicas de poupança
A Klarna deixa ainda cinco recomendações aos consumidores: verificar o que já existe em casa antes de comprar; rever e cancelar subscrições digitais não utilizadas; planear com antecedência em vez de concentrar tudo nas últimas semanas de agosto; usar o pagamento fracionado sem juros como ferramenta de gestão do orçamento; e aproveitar ofertas de cashback nos artigos de maior valor.
Perguntas frequentes
Quantos portugueses comparam preços antes de comprar material escolar? 86%, sempre ou frequentemente, segundo a Klarna. Destes, 60% consultam duas a três plataformas antes de decidir, 10% consultam quatro ou cinco e 3% seis ou mais.
Quando começa a época de regresso às aulas no comércio eletrónico? Em julho. A roupa de criança atingiu um pico de +64% em julho de 2026, durante os saldos, e os livros cresceram até +60% em agosto face à média anual.
Adiar a compra à espera de melhor preço compensa? Nem sempre. Dos 64% que já adiaram uma compra, 37% acabaram por pagar mais por decidirem tarde de mais.
O que muda no pagamento fracionado a 20 de novembro de 2026? Passa a estar sujeito às regras do crédito ao consumo, por aplicação da Diretiva (UE) 2023/2225: ficha de informação normalizada, avaliação de solvabilidade, restrições à publicidade e reporte ao Banco de Portugal.
Fontes
- Klarna — comunicado sobre hábitos de poupança no regresso às aulas (7 de setembro de 2026).
- ConsumerChoice — estudo sobre o Regresso às Aulas em Portugal (agosto de 2026).
- Webloyalty — O Consumo Online em Portugal 2026.
- Unicre / Parcela Já — volumes de pagamento fracionado 2024–2025, via Expresso.
- Diretiva (UE) 2023/2225 (CCD2), aplicável a partir de 20 de novembro de 2026.
Este texto foi escrito com o auxílio de uma AI











