Comparar preços, esperar por promoções, caçar cashback e fracionar pagamentos deixaram de ser comportamentos de nicho. Um novo estudo da Klarna mostra que a maioria dos consumidores em Portugal já trata cada compra com o cuidado que antes reservava só para as grandes decisões financeiras — e isso muda a forma como as lojas online têm de comunicar preço e valor.
Seis em cada dez consumidores portugueses (60%) comparam o preço de um produto em, pelo menos, três sítios diferentes antes de o comprar. O dado é do mais recente Relatório de Consumidores da Klarna (2.º trimestre), realizado em abril junto de uma amostra representativa de 1.000 residentes em Portugal com 18 ou mais anos, em colaboração com a agência de estudos Appinio.
O retrato que emerge é o de um comprador mais intencional, informado e orientado para valor — e de um conjunto de ferramentas digitais (comparadores, códigos de desconto, cashback e pagamentos flexíveis) que se está a tornar padrão no processo de decisão de compra.
As cinco estratégias que os portugueses usam antes de comprar
A comparação de preços é a estratégia mais comum, mas está longe de ser a única. Quando questionados sobre o que fazem antes de finalizar uma compra, os consumidores nacionais revelam um comportamento de pesquisa estruturado:
| Estratégia do consumidor português | % |
|---|---|
| Comparar preços em pelo menos 3 locais | 60% |
| Aguardar por promoções | 57% |
| Adiar a compra à espera de melhor preço | 52% |
| Aplicar ofertas de cashback | 47% |
| Procurar códigos de desconto | 43% |
Estes números, no seu conjunto, dizem algo importante a quem vende online: a decisão de compra raramente acontece à primeira visita. O consumidor compara, espera, adia e só converte quando sente que está a fazer o negócio mais inteligente possível.
"Os consumidores portugueses estão cada vez mais a comparar, a planear e a procurar todas as vantagens possíveis. (...) formas mais inteligentes de descobrir ofertas, mais flexibilidade nos pagamentos e maior visibilidade das suas finanças." — Inês Fiúza Marques, Country Manager da Klarna em Portugal
O Buy Now, Pay Later como ferramenta de gestão de orçamento
Um dos sinais mais claros desta mudança está na forma como o público olha para o Buy Now, Pay Later (BNPL). Deixou de ser visto apenas como uma forma de comprar mais — passou a ser uma ferramenta de controlo orçamental.
Mais de metade dos inquiridos (55%) afirma que fracionar o pagamento ajuda a gerir o orçamento mensal. Mas o valor percebido não está em gastar mais: 23% usa o BNPL precisamente para evitar mexer nas poupanças e 20% para manter uma visão mais clara das despesas do mês. A leitura é menos sobre crédito e mais sobre previsibilidade.
Hábitos de poupança ainda desiguais — mas com aspirações claras
Se o lado da compra está mais sofisticado, o da poupança continua irregular. Apenas 22% dos portugueses poupa um montante fixo todos os meses, 35% poupa de forma irregular e 17% não poupa de todo.
Apesar disso, a intenção existe e está a crescer, sobretudo entre os mais novos: metade dos inquiridos está a constituir um fundo de emergência e a Geração Z poupa ativamente para objetivos concretos, como viagens ou a compra de um carro. O cenário é o de consumidores que querem poupar e procuram, cada vez mais, ferramentas financeiras estruturadas para o fazer.
O que isto significa para quem vende online em Portugal
Para os profissionais de comércio eletrónico, o estudo confirma uma tendência de fundo: a guerra deixou de se jogar apenas no preço mais baixo e passou a jogar-se na perceção de valor e na transparência. Algumas implicações práticas:
- Assuma que o cliente vai comparar. Com 60% a verificar três ou mais fontes, esconder portes, taxas ou condições só atrasa a conversão. Preço total claro e visível reduz a fricção da comparação — e a probabilidade de o cliente sair para a concorrência.
- Trabalhe o tempo de decisão. Como mais de metade adia a compra à espera de promoção, ferramentas como alertas de descida de preço, listas de desejos e remarketing honesto capturam intenção que de outra forma se perde.
- Cashback e códigos não são "extra", são esperados. Com 47% a procurar cashback e 43% códigos de desconto, integrar estas mecânicas (ou estar presente nas plataformas que as agregam) entrou no campo das expectativas básicas.
- Pagamentos flexíveis como argumento de confiança. Oferecer BNPL bem comunicado responde a uma necessidade real de gestão de orçamento — desde que apresentado com transparência total sobre condições.
Em síntese, o estudo desenha um consumidor mais envolvido, mais informado e com mais controlo. Para as marcas e lojas online, a oportunidade está em reduzir o esforço dessa pesquisa que o cliente já faz — com preço claro, vantagens reais e opções de pagamento transparentes — em vez de tentar contorná-la.
Metodologia do estudo
O Relatório de Consumidores do 2.º Trimestre da Klarna foi realizado em abril, em colaboração com a agência de estudos Appinio, junto de uma amostra representativa de 1.000 participantes residentes em Portugal, com 18 ou mais anos. A Klarna é um banco digital global e fornecedor de pagamentos flexíveis, cotado na Bolsa de Valores de Nova Iorque (NYSE:KLAR).
Perguntas frequentes sobre o estudo
Segundo o estudo da Klarna, 60% dos consumidores portugueses comparam o preço de um produto em, pelo menos, três locais diferentes antes de finalizar a compra.
As cinco mais comuns são: comparar preços em vários sítios (60%), aguardar por promoções (57%), adiar a compra à espera de melhor preço (52%), aplicar ofertas de cashback (47%) e procurar códigos de desconto (43%)
Porque deixou de ser visto como forma de comprar mais e passou a ser uma ferramenta de gestão de orçamento: 55% dos inquiridos diz que fracionar o pagamento ajuda a gerir o mês, 23% usa-o para não mexer nas poupanças e 20% para ter uma visão mais clara das despesas.
Apenas 22% poupa um montante fixo mensalmente. Outros 35% poupam de forma irregular e 17% não poupam de todo, embora metade esteja a constituir um fundo de emergência.
O estudo foi conduzido pela Klarna em colaboração com a agência Appinio, em abril, com uma amostra representativa de 1.000 residentes em Portugal com 18 ou mais anos.











