O e-commerce continua a crescer, com expectativas mais positivas para o final do ano
A maioria dos especialistas inquiridos confirma que o comércio eletrónico continuou a crescer no primeiro semestre de 2026. Segundo o painel, 78,7% dos inquiridos indicam que o setor onde a sua empresa atua registou crescimento das vendas online no 1.º semestre de 2026, quando comparado com 2025. Além disso, 46,8% reportam crescimentos superiores a 10%, o que reforça a relevância do canal online no desempenho do retalho.
Ainda assim, os dados mostram também uma leitura mais prudente do ritmo de crescimento. O ponto médio do intervalo de estimação do crescimento das vendas online situa-se em 8,5%, abaixo da expectativa registada na vaga anterior, que era de 9,5%. Esta evolução sugere que o mercado continua dinâmico, mas entra numa fase de maior consolidação, em que crescer de forma sustentável é tão importante como crescer em volume.
Para o final de 2026, as expectativas tornam-se mais otimistas. 87,2% dos painelistas esperam que as vendas online cresçam em 2026, face a 2025, enquanto a percentagem de especialistas que antecipa uma descida das vendas online no seu setor cai para 6,4%. O ponto médio da estimativa de crescimento para o conjunto do ano sobe para 10,5%, refletindo uma expectativa de maior aceleração no segundo semestre.
O online já tem um peso relevante nas compras em vários setores
A 2ª vaga do barómetro reforça também a importância estrutural do canal online no retalho. De acordo com os resultados, 51,1% dos painelistas estimam que o peso das compras online no total das compras do setor onde atuam já é superior a 15%.
Este dado confirma que o e-commerce deixou de ser apenas um canal complementar em muitos setores. Para várias empresas, o online é hoje uma componente relevante da operação comercial, com impacto direto na gestão de stock, na logística, na experiência de cliente e na estratégia de serviço.
Ao mesmo tempo, 27,7% dos inquiridos indicam que o peso das compras online é inferior a 7%, mostrando que ainda existe margem de evolução em determinados segmentos. Esta diferença entre setores sugere que o mercado continua heterogéneo, com níveis distintos de maturidade digital, mas com uma tendência comum: o canal online mantém-se central nas decisões de crescimento e investimento.
Entregas convenientes, rápidas e tendencialmente gratuitas continuam no centro da experiência
A entrega continua a ser um dos pontos mais críticos da experiência de compra online. Para os consumidores, a forma como uma encomenda é entregue pode influenciar diretamente a satisfação, a recompra e a perceção sobre a marca.
Segundo o painel, as opções de entrega Out of Home, como lockers, pontos de conveniência e click & collect, continuam a ser vistas como tendo elevado potencial de crescimento. Em julho, a entrega em locker de encomendas surge como a opção com maior score de utilização futura, seguida dos pontos de conveniência.
Esta tendência mostra que os consumidores valorizam cada vez mais alternativas flexíveis à entrega no domicílio. Para os e-sellers, disponibilizar diferentes opções de entrega pode ser uma forma de melhorar a experiência de cliente, aumentar a conveniência e responder a diferentes perfis de compra.
Já na ótica dos atributos mais relevantes para a customer experience dos e-buyers, as entregas gratuitas mantêm-se como o elemento mais valorizado pelo painel, seguidas da previsibilidade e da velocidade.
Ou seja, os consumidores continuam atentos ao custo da entrega, mas esperam também maior controlo sobre quando e como recebem as suas encomendas. A conveniência deixa de estar associada apenas à rapidez e passa a incluir previsibilidade, escolha e flexibilidade.
Sameday delivery estabiliza, mas mantém relevância estratégica
A 2ª vaga do Barómetro CTT e-Commerce 2026 mostra uma relativa estabilização da adesão ao sameday delivery. De acordo com os dados, 36,2% dos membros do painel já disponibilizam entregas no próprio dia e 19,1% planeiam vir a oferecer esta opção nos próximos 6 a 12 meses. No total, 55,3% dos inquiridos já oferecem ou ponderam oferecer sameday delivery.
Apesar disso, 44,7% dos painelistas indicam que não planeiam vir a oferecer esta modalidade, o que sugere que o sameday delivery não é visto como uma solução universal para todos os negócios.
A sua adoção depende de fatores como categoria de produto, localização dos clientes, capacidade logística, custo operacional e promessa de serviço. Para alguns setores, pode ser uma vantagem competitiva relevante. Para outros, a prioridade poderá estar em garantir entregas previsíveis, eficientes e economicamente sustentáveis.
Devoluções labelless ganham força e simplificam a experiência do cliente
As devoluções continuam a ser uma área de grande atenção para o e-commerce. O barómetro aponta para um consenso alargado em torno da evolução das devoluções e destaca uma tendência clara: as devoluções labelless, sem necessidade de impressão de guias em papel, deverão continuar a crescer.
Esta evolução é particularmente relevante porque responde a dois desafios importantes. Por um lado, simplifica o processo para o consumidor, reduzindo fricção no momento da devolução. Por outro, contribui para uma operação mais digital, menos dependente de papel e potencialmente mais eficiente.
O painel indica também que a maioria dos inquiridos concorda que o custo das devoluções seja suportado, total ou parcialmente, pelos compradores.
Este ponto mostra que o setor procura encontrar um equilíbrio entre conveniência e sustentabilidade económica. A devolução fácil continua a ser importante para a confiança do consumidor, mas o seu custo obriga os e-sellers a repensar políticas, processos e modelos operacionais.
Inteligência Artificial e Data Analytics mantêm-se como prioridade de investimento
A tecnologia continua a ocupar um lugar central nas prioridades do e-commerce. Entre as inovações com maior potencial para o e-seller, a Inteligência Artificial e Data Analytics mantém-se destacada como a principal prioridade de investimento para os próximos 6 a 12 meses.
Esta prioridade confirma que o setor está cada vez mais orientado para decisões baseadas em dados. Mais do que uma tendência abstrata, a IA começa a ser associada a áreas concretas de aplicação, com impacto direto na personalização, na eficiência comercial e na relação com o cliente.
Na 2ª vaga, as recomendações personalizadas de produtos passam a liderar as prioridades de investimento em IA, ultrapassando as ferramentas de customer service, como chatbots e assistentes virtuais.
Este dado é particularmente relevante porque mostra uma evolução na forma como as empresas olham para a IA. Se numa primeira fase a tecnologia foi muitas vezes associada à automação do atendimento, agora ganha espaço como ferramenta para aumentar relevância comercial, melhorar a experiência de navegação e potenciar conversão.
Numa segunda linha, o painel destaca ainda a segmentação de clientes, o dynamic pricing e a previsão de vendas como áreas de aplicação relevantes. Já a Smart Logistics surge com menor prioridade relativa no conjunto das opções avaliadas.
Sustentabilidade reforça presença nas decisões de e-commerce
A sustentabilidade mantém-se como um tema essencial para o setor, mas com uma abordagem cada vez mais prática e operacional. Segundo o barómetro, as iniciativas mais referidas pelos painelistas são a oferta de produtos sustentáveis e a utilização de embalagens recicláveis.
Em julho, 63% dos inquiridos indicam oferecer ou prever oferecer produtos sustentáveis, enquanto 58,7% referem a utilização de embalagens recicláveis. A oferta de embalagens reutilizáveis e entregas com veículos elétricos também surge entre as iniciativas consideradas pelo painel.
Outro dado relevante é a descida para 13% da percentagem de inquiridos que não têm planeadas iniciativas de sustentabilidade nos próximos 12 meses. Este resultado sugere um maior compromisso do painel com o tema e confirma que a sustentabilidade está cada vez mais integrada nas decisões de negócio.
Ainda assim, nem todas as iniciativas evoluem da mesma forma. A oferta de canais de venda para produtos em segunda vida apresenta comportamentos distintos: a aposta na venda de produtos usados aumentou, enquanto a aposta no recondicionamento de produtos diminuiu. Isto mostra que algumas soluções sustentáveis podem exigir maior maturidade de mercado, maior escala operacional ou novos modelos de adesão por parte dos consumidores.
Um setor mais maduro, mais exigente e mais orientado para valor
A 2ª vaga do Barómetro CTT e-Commerce 2026 confirma que o comércio eletrónico em Portugal continua a crescer, mas também mostra que o setor está a entrar numa fase de maior exigência.
O crescimento das vendas online permanece positivo, mas as decisões dos e-sellers parecem cada vez mais orientadas para eficiência, diferenciação e sustentabilidade operacional. A conveniência nas entregas, a flexibilidade das devoluções, a utilização inteligente de dados e a integração de iniciativas sustentáveis são sinais de um mercado mais maduro e competitivo.
Para as empresas, o desafio já não passa apenas por vender online. Passa por criar experiências consistentes, rentáveis e adaptadas às novas expectativas dos consumidores. Isso implica diversificar opções de entrega, simplificar processos, investir em tecnologia com impacto real e assumir a sustentabilidade como parte integrante da proposta de valor.
Fonte: CTT
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