Data Governance e Data Driven Marketing: Uma “fórmula” para o Sucesso do seu negócio

Márcio Miranda
🛠️ eCommerce manager – Grupo Nabeiro
📧 geral.mdpm(at)gmail.com
📌 in/marciodpmiranda

Vivemos num mundo onde a quantidade de dados disponíveis cresce exponencialmente e as empresas enfrentam um desafio crucial: como transformar esses dados em valor real.

A resposta, no meu entender, está na combinação estratégica de data governance e data driven marketing. Neste artigo, vamos explorar como esta integração pode ser a chave para o sucesso do seu negócio.

Porque é que os Dados são relevantes no marketing?

Os dados são o combustível que impulsiona as decisões estratégicas. Técnicas como segmentação e hiperpersonalização permitem que as marcas alcancem os consumidores certos, no momento certo, com a mensagem certa.

Imagine poder prever as necessidades dos seus clientes antes mesmo de eles perceberem — isso é possível através de compra preditiva ou táticas de preço dinâmico. No entanto, todas elas dependem de dados bem geridos.

A verdade é que quanto mais micro for a segmentação, maior será o impacto— mas maior será a complexidade da sua execução. A verdadeira magia acontece quando as empresas conseguem cruzar dados geográficos, demográficos, psicográficos e comportamentais de forma integrada. E é aqui que muitas falham, devido à falta de um ecossistema de dados robusto.

Os Desafios na Implementação

Implementar uma estratégia de marketing orientado a dados é mais do que simplesmente adquirir uma tecnologia incrível. Sem um ecossistema de dados sólido e uma integração eficaz entre departamentos, mesmo as ferramentas mais avançadas são inúteis.

Um dos principais desafios é a falta de alinhamento entre as várias áreas da empresa. Marketing, IT e eCommerce, todos precisam trabalhar em sintonia.

Quando cada área age de forma independente, a visão global do negócio perde-se. E note que muitos dados nem sempre se traduzem em melhores resultados. A chave está em saber quais os dados que são realmente relevantes para os seus objetivos e perceber como é que a tecnologia vai suportar as decisões do negócio.

Outro erro comum é acreditar que, uma vez implementado, o processo de marketing orientado a dados funcionará automaticamente sem necessidade de ajustes. A automação é poderosa, mas precisa do toque humano: o conhecimento prático, o sentido crítico e a capacidade de contextualizar os dados são essenciais para extrair insights acionáveis.

A Importância Vital da Governança de Dados

Para que os dados possam realmente servir de base para decisões de marketing eficazes, é fundamental que estejam bem “geridos”. A governança de dados é o processo que assegura a precisão, integridade e segurança dos dados.

Tal como protegemos a nossa marca com diretrizes claras, devemos fazer o mesmo com os nossos dados. Uma forte governança de dados garante que todos na empresa utilizam informações confiáveis e consistentes, o que é crucial para o sucesso de qualquer estratégia de marketing (digital ou não digital). Sem uma estrutura sólida, os dados tornam-se um passivo, ao invés de um ativo.

Como Criar um Ecossistema de Dados Eficiente

Se está a pensar em implementar uma estratégia de marketing orientado a dados, aqui estão alguns passos práticos para começar:

1. Defina Objetivos Claros: Antes de mais nada, é essencial definir objetivos claros e mensuráveis que estejam alinhados com as metas da empresa. Evite a tentação de querer fazer tudo de uma vez. Defina milestones e comece com metas simples, que possam ser facilmente comunicadas e acompanhadas.

2. Crie KPIs que ajudem a avaliar o progresso e o impacto da sua estratégia:

  • Qualidade dos Dados: Taxa de erros e conformidade com regras de qualidade.
  • Aderência às Políticas de Governança: Número de incidentes de não conformidade e tempo de resolução.
  • Adoção das Ferramentas de Dados: Taxa de adoção e número de utilizações das ferramentas.
  • Impacto nos Resultados de Marketing: ROI de campanhas baseadas em dados e taxa de conversão.
  • Eficiência Operacional: Tempos de processamento dos dados e custos operacionais.

3. Organize os Dados: Categorize os seus dados em diferentes grupos 1) Dados internos e 2) Dados externos, fazendo de seguida um subnível por origem dos mesmos:  sociais, media, tráfego, pontos de venda, interações com clientes, supply chain etc. Crie uma matriz que combine 1) Objetivos, 2) Dados e 3) Fontes, fazendo depois um cruzamento dos objetivos do negócio com as fontes de dados disponíveis. Isso ajudará a verificar se os dados disponíveis são suficientes e se estão preparados para serem utilizados.

4. Crie um Ecossistema com um Denominador Comum: Escolha um identificador único, como o ID de cliente, email ou número de telefone, para mapear todos os dados. Isso permitirá que crie clusters e segmentações eficazes ao longo da jornada de compra.

5. Escolha a Plataforma de Dados Certa: Centralizar os dados é crucial. Dependendo da maturidade do seu negócio e das necessidades em termos de data management, escolha uma plataforma adequada. O mais importante é garantir que todos os departamentos trabalham a partir da mesma fonte de dados, para que as decisões sejam consistentes e informadas. Alguns exemplos:

  • PIM – Product Information Management
  • CDP – Customer Data Platform
  • MDM – Master Data Management
  • DW – Data Wharehouse
  • CRM – Customer Relation Management

A partir daqui, consegue conectar-se com ferramentas de análise bem robustas com capacidades de trabalhar algoritmos e machine learning para escalar a sua capacidade.

Conclusão:
A Estratégia e a Ação Caminham Juntas

O verdadeiro desafio não está na falta de dados, mas na capacidade de identificar quais são os mais relevantes e na energia necessária para os organizar e estruturar.

Dados errados podem levar a decisões desastrosas e sabemos bem onde isso nos pode levar.

Por isso, se está a liderar ou a participar num projeto de marketing orientado a dados, lembre-se: a combinação de uma forte governança de dados com uma estratégia de marketing bem definida pode transformar a sua empresa.  É esta a aliança que lhe vai permitir mapear o cliente numa perspetiva one-to-one sem esquecer a amplitude para a criação de clusters de maior volume, mas agrupados com um contexto, quer nas preferências quer na jornada.

É uma jornada desafiadora, mas os resultados farão com que o esforço valha a pena.

E com IA ao nosso dispor…. Bem, deixemos essa “parte” para um futuro artigo.

 E você, já está a tirar o máximo partido dos seus dados?


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